Entre os dias 18 e 19 de setembro de 2014 celebraram-se as primeiras jornadas internacionais de literatura galega em Madrid, em coordenação entre duas universidades madrilenas: a UNED e a UCM. Todas as pessoas com que falei ontem e participaram nelas comentavam ontem que gostaram da experiência, que fora muito rica e que dera um ar novo a este tipo de encontros académicos. Se calhar, é aí onde se encontra a novidade: nos novos ares. Com mais de oitenta participantes, as jornadas sim podem ser consideradas, a meu ver, como um sucesso. Tive a honra de ser um dos codiretores desse evento e, pela primeira vez, a minha universidade, a UNED, participou plenamente num congresso de literatura galega. No aspeto formal, contámos com a presença do presidente da RAG, o professor Xesús Alonso Montero e com o secretário-geral de Política Linguística da Junta de Galiza, Valentín Garcia Gómez; este segundo participou na clausura das jornadas.

Porém, a minha intenção não é falar de como se desenvolveram as jornadas, mas do dia depois das mesmas. A presença de importantes estudiosos galegos nelas é algo que gostaria de salientar, embora houvesse também um seitor académico galego que preferiu ignorar estas jornadas, provavelmente pelos novos ares a que me referia antes. A literatura galega é algo grande demais como para que só se cinja ao seu âmbito linguístico. Dessa maneira, tentar fazer teoria da literatura galega exclusivamente desde a Galiza acho que é algo que priva à literatura galega de grande parte do seu valor. Da mesma maneira que se trouxe a reflexão sobre a literatura galega para Madrid, também a capital do Estado é um núcleo de criação literária galega, a cada vez de maior importância.

Uma das coisas surpreendentes que se disse-se no congresso foi que a editora que mais livros de poesia publicou em 2013 em galego não está na Galiza, mas está sediada em Toledo e tem a sua distribuição principal em Madrid; estou a falar da Lastura. Porém, não é só esta editora que desde há algum tempo publica textos galegos desde Madrid (quer monolingues, quer bilingues), mas também a Amargord. Visto o desenvolvimento constante da realidade da literatura galega em Madrid, Vicente Aráguas, o decano dos escritores do Grupo Bilbao, comentava na sua conferência inaugural do congresso que já chega de ignorar [propositadamente] a literatura galega feita em Madrid, algo que foi também sinalado por alguns outros palestristas.

A antologia ESFEROGRAFIAS do Grupo Bilbao, apresentada durante o congresso.

Estas jornadas foram, em parte, dedicadas ao estudo do chamado Grupo Bilbao. Um dos objetivos marcados era visibilizar este grupo de escritores de expressão galega que existe desde 1996. Muitos deles passaram pelo congresso, alguns como palestristas, outros como escritores. Evidentemente houve muitos outros temas de apresentação, mas isso já será visto nas atas do congresso quando sejam publicadas. Houve, portanto, uma parte importante dedicada à literatura galega feita e concebida desde Madrid.

Acho que graças a este congresso, mais colegas dentro da Galiza conhecem esse Madrid que se tentou apresentar como núcleo nem só de criação, mas também de estudo da literatura galega, um espaço onde também cresce a cultura galega, onde, de facto, sempre esteve, já desde os tempos da Rosalia de Castro até hoje sem interrupções. Se conseguirmos isso, acho que já valeu a pena organizar este congresso. E, se calhar, haverá uma segunda edição das jornadas, mas ainda é cedo para confirmar. Gostaria, aliás, agradecer o trabalho de Ricardo Pichel Gotérrez, sem o qual, este congresso não teria atingido o sucesso que atingiu.

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