Resultado de imagen para drunkardsOntem por volta da meia noite, dous indivíduos chegaram bêbedos ao meu andar do hotel. Durante meia hora entraram e saíram dos quartos a gritarem etilicamente e fecharem as portas batendo nelas. As suas vozes ficaram gravadas na minha memória, porque me interromperam o sonho várias vezes.

Depois do almoço ambos os indivíduos estavam sentados no acesso do hotel. O guarda de segurança tratava de se comunicar com eles. Bem logo reconheci aquelas duas vozes da noite anterior. Perguntei-lhe se sabia donde é que eles eram. Não sabia. Eu não conseguia reconhecer o idioma pelo sotaque etílico que eles ainda mantinham, mas provei em inglês: “You need any help?”. Um deles falava inglês macarónico, o outro nem isso. O primeiro disse que estavam à espera de um amigo. O segundo deveu dizer-me a mesma cousa, mas no seu dialeto etílico. Depois perguntei: “Where are you from?”. O gajo disse-me: “Israel”. E então o segundo continuou a me explicar não sei quê. Já compreendi daquela que me falava hebreu etílico (se não tivesse sido etílico, provavelmente sim teria reconhecido o hebreu). Como o segundo continuava a me falar sem eu compreender, perguntei a ambos em árabe: “betatakallamu 3árabi?”.

Nesse instante, ambos reagiram. Tomaram uma postura ofensiva. Juro que apesar de todos os avisos que recebi de ter cuidado com os delinquentes de Bogotá, em nenhum momento me tenho sentido ameaçado. Só naquele instante, perante dous israelistas cujo olhar botava ódio. O primeiro ainda me perguntou em inglês: “You Arab?”. Por um instante tive a sensação de estar na Cisjordánia ocupada. Eu disse: “No, Spanish”. Mas eles continuavam em atitude de vigilância. Felizmente não estava nos Territórios Ocupados, por isso resolvi virar-me e sair do hotel. Porém, pelo que já estou a ouvir, vêm também hoje cheios de álcool prontos a me presentearem uma noite etilicamente heróica.

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