Resultado de imagen para oxymoronA primeira vez que vim a Quito, em junho de 2015, uma das cousas que me perguntárom foi como ia tudo pola mãe pátria. Bom, essa expressão, se um a analisar sem estresse, é uma autêntica asneira.

Imos ver isto com atenção. Por que tanto interesse pola Espanha quando eles, os equatorianos e o resto de países latino-americanos, lutárom pola sua independência? Por que agora perguntam com nostalgia por Espanha? Não o dou entendido, a sério.

A seguir, mãe e pátria são um oxímoro, uma contradictio in terminis. É que não veem que pátria é palavra derivada de pai, PATER em latim e que, portanto, não pode ser? Os amantes das pátrias não gostam do transgénero, mas falando da mãe pátria estão a lhe atribuir uma condição sexual à pátria estranha. Estão cientes disso? A mesma cousa aconteceria aos alemães com o seu Vaterland, que, a propósito, é neutro, mas não consigo imaginar que os alemães falem de Muttervaterland. Para evitar isso, já há tempo que alguém inventou o conceito de mátria, mas a mátria é feminina e o patriota cheiraria a feminismo por esse lado. Complicado. Ademais, eu não sei de caso nenhum em que o patriotismo tenha dado de comer a ninguém.

Portanto, uma vez superado o devandito oxímoro, nesta ocasião ninguém me perguntou pola mãe pátria, mas várias vezes fui inquerido acerca das minhas preferências de futebol, se gosto do Real Madrid ou do F.C. Barcelona. E aí a cousa piora, porque do primeiro momento eu dixẽ que não gosto de futebol, ante o qual encontrei caras de autêntico pasmo nos meus interlocutores, que devêrom pensar que não sou um autêntico espanhol, e de facto não sou. E é que nos telejornais dedicam muito tempo a falar da liga espanhola, portanto os equatorianos têm profundos conhecimientos do que acontece com as bolas que se batem com os pés nos estádios espanhóis, porque a vida daqueles senhores que correm trás a bola em calças curtas é mais interessante que inflação no próprio país, por exemplo.

Ë, portanto, muito triste que tenhamos passado do oxímoro para o binómio impossível, como se tudo na vida fosse uma questão de escolhas. Talvez seja por isso que ainda não sei se escolher entre o café colombiano e o equatoriano.

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