Resultado de imagen de adults reading children's booksNos estudos literários, e também na mercadologia literária, existe uma etiqueta para quase todo. Para além dos géneros (suspenso, amarelo, romântico, aventuras, etc), tende-se também a classificar a literatura segundo o publico alvo para o qual se escreve. E é mesmo aí que existe uma tripla classificação segundo a idade para a qual vão dirigidos os textos. É por isso que, grosso modo, se fala de literatura infantil, literatura juvenil e literatura adulta, sendo esta última a convencional. Já nem vou entrar em como estabelecer as fronteiras entre os diferentes tipos de públicos, onde é que começa a juvenil e termina a infantil, ou quando é que um leitor pode ser considerado adulto, porque não há qualquer consenso sobre isso.

Porém, o estabelecimento destas barreiras nítidas no mercado e a academia, não se correspondem com a realidade. Existem textos cujo alvo é o público infanto-juvenil mas que são lidas por leitores adultos. O caso mais conhecido é a saga do Harry Potter. E o que dizer dos romances de Jules Vernes, que na altura não eram próprios do público juvenil, mas que no século XX foram devorados por gerações e gerações de adolescentes? Por outro lado, existem textos cuja etiquetagem é absolutamente errada, como é o caso d’O Principezinho. Esta singular novela não vai direcionada a um público infanto-juvenil, mas adulto. Está curioso ver como o livro em questão é colocado nas livrarias na seção de literatura infantil. Há quem até diz que este livro tem dous níveis de leitura. Todavia, o seu autor não pensava num público infantil à hora de o redigir e nem o público jovem tem capacidade de perceber a profundidade da mensagem de Saint-Exupéry.

Portanto, se aceitarmos que existem textos que têm os jovens (e crianças) como público alvo, mas que são lidos por público adulto, então é preciso falar de literatura infadulta. Este conceito nasce da combinação de inf(antil) e adulto. Com ele queremos falar dos textos à partida gerados para um público infanto-juvenil, mas que chegam facilmente a um público adulto. É preciso dizer que não qualquer texto infantil interessa ao público adulto. De facto, os textos para primeiros leitores, por motivos óbvios, não interessam aos adultos, mas sim poderíamos coligir que determinados textos, aptos a partir de uma idade aproximativa de dez anos, gostam a uma série de leitores adultos. Estes seriam os textos que podemos classificar como infadultos.

A questão é que se deveria iniciar uma investigação para entender quais as caraterísticas dos textos infadultos, ver que temáticas apresenta e porquê certos adultos gostam de textos para a infância ou a adolescência. Eis a clave.

Todavia, deixamos aqui a questão e ficam abertos todos os vieiros para uma eventual análise, porque parece que entramos num terreio fangoso que dará muito para discutir, principalmente porque ainda há muitos adultos que, quando leem textos para crianças, escondem os livros embrulhando-os em papel de jornal para as pessoas ao redor não se aperceberem. E tudo por não deixarmos sair o miúdo que levamos dentro…

Leituras

Nas seguintes ligações fala-se da necessidade dos adultos lerem textos infantis. Esse é o início da questão, mas apenas isso, o início.

Why adults shouldn’t be embarrassed to read children’s books

https://www.theguardian.com/childrens-books-site/2014/jun/10/adults-reading-ya-kids-teen-fiction-non-pratt

Why All Adults Should Read Children’s Books

Why All Adults Should Read Children’s Books

6 Reasons Adults Should Read Children’s Books

https://www.lakeside.com/jma/6-Reasons-Adults-Should-Read-Childrens-Books

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