capaTinha pendente, desde há meses, a publicação na Ianua Editora da versão eonaviega d’El Principín, isto é, O Principezinho.

Sou ─não tenho qualquer problema em o reconhecer─ um fã absoluto deste livro. Coleciono-o em muitas línguas, mas não sou um obsesso dele. Conheci pessoas que o têm em todas as edições para que foi traduzido. Não é o meu caso. Pessoalmente gosto de o comprar quando chego a um país que visito pela primeira vez e procuro-o. Foi engraçado na Hungria, foi na cidade de Debrecen. Lá ninguém falava outra coisa mais que a própria língua. Por isso, quando quis perguntar pelo livro, nenhum livreiro me entendia. Afinal tive que apanhar o telemóvel e procurar uma imagem da capa, que por norma é quase igual em todas as línguas. Graças a isso pude comprar a versão húngara d’O Principezinho.

Seja como for, eu também quis fazer parte da legião de tradutores desse livro maravilhoso. Foi na década de 1980. Estava traduzido já na altura para muitos falares ibéricos, pelo qual resolvi traduzir para a variante galega familiar, o eonaviego. Fiz uma versão, ainda me lembro, com a velha máquina de escrever Olivetti e até reproduzi várias das aguarelas do autor. Infelizmente não conservo essa edição, mas lembro que estava cheia de correções que fazia com o líquido corretor. Depois, fiz fotocópias daquele livro e presenteei aos amigos.

05c00000Na década de 2000, alguém me perguntou por uma tradução eonaviega. Decerto eu tinha uma, portanto, refiz a minha velha tradução e passei para computador. Aquela pessoa que me perguntara pela versão eonaviega fornecera-me aliás com os desenhos do livro. Assim, através de um indivíduo de Pontevedra fizemos uma pequena tiragem e depois um gajo nos Estados Unidos me enganou para ele a vender.

E assim até 2018. Tinha intenção de reeditar aquela primeira edição que nem tinha ISBN nem nada, porque, na altura, os direitos de autor ainda estavam em vigência. Hoje, felizmente, não são. Há umas semanas, escreveu-me alguém com nome chinês para me perguntar pelo livro na versão eonaviega. Resolvi publicá-lo, para o qual revi a antiga edição e fiz correções. Depois carreguei na Amazon.

26a00000Mas a Amazon, ai a Amazon, chateou-me com a questão dos direitos do autor. O Saint-Expuéry está morto há mais de 75 anos, tristemente. Perguntou-me por todos os pormenores do tradutor do livro (isto é, eu próprio). Bom, afinal aceitaram a publicação do livro.

Depois de 30 anos, o Principezinho em eonaviego está à venda na Amazon… sim, à venda, mas por algum motivo inexplicável, está à venda apenas no Amazon do Japão. Comprovem aqui.

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